segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

O Ocaso de Maranhão


O governador José Maranhão (PMDB) está de saída da cena política. Alguns já começam a dizer que vai tarde. Outros ainda alardeiam que o todo poderoso presidente do PMDB da Paraíba terá ainda condições para novos fôlegos.

Maranhão resolveu não passar a faixa para Ricardo Coutinho (PSB), deixou a missão a cargo do vice-governador, Luciano Cartaxo (PT). Ao invés disso, preferiu viajar para Brasília a fim de acompanhar a posse de Dilma Rousseff (PT). A deferência é clara e a esperança por um cargo no Governo Federal também.

Após a posse o atual ex-governador viajou para Tocantins, onde tem uma fazenda. Espera por lá a nomeação que, dizem, será para presidente da Transpetro. Mas não há nada certo.

Sempre foi difícil imaginar que Maranhão conseguisse emplacar uma nomeação para o primeiro escalão. Agora continua complicado pensá-lo no segundo escalão. Para mim, o peemedebista só tem cacife, neste momento, para o terceiro. Então, se conseguir a diretoria de alguma indireta (como a Transpetro), pode se considerar vitorioso.

Lembremos que o governador abandonou a candidata á presidência no segundo turno quando percebeu quem nem ela, nem Lula, viriam à Paraíba dar o ar da graça, para salvarem a sua eleição.

É inegável. Maranhão vive o ocaso de sua vida política e tem um balanço até positivo para fazer de sua trajetória.

Natural de Araruna, lançou-se na vida política em 1955, eleito deputado estadual pelo PTB. Com advento da Ditadura, sofreu o ostracismo de 1969 até 1982, quando retornam as eleições conseguiu se eleger. Agora para deputado federal constituinte.

Daí seguiu emplacando três mandatos consecutivos, até que em 1994 vê que o destino lhe sorri. É escolhido o vice-governador na chapa que seria vitoriosa ao governo do estado. Como a maioria já sabe, o vice não é escolhido exatamente por sua expressão política... é mais pela sua falta de expressão... Ironia do destino...

Bem, Mariz acabou morrendo e aquele que parecia um político inexpressivo, apenas mediano, um ilustre desconhecido do grande público, é alçado ao chefe máximo do estado.

Aos poucos vão surgindo alguns mitos em volta do governador. De ser um homem simples, humilde, afável. Boa parte dessa fama deve-se ao famoso evento do aniversário de Ronaldo Cunha Lima no clube campestre de Campina Grande. Quando, em meio a uma disputa de bastidores para ver quem seria o indicado pelo partido (na época ambos no PMDB), a TV flagra uma cena que salta aos olhos.

Maranhão, então governador, sofre a afronta de Ronaldo Cunha Lima. O campinense, depois de um discurso irritado pelas tentativas do governador de conseguir a indicação para uma reeleição, descruza, na marra, os braços de um Maranhão que assiste a cena passivamente. A imagem televisioanda é reprisada em rede nacional. Fica como um acinte! A força de uma oligarquia tentando se impingir a um governador. E em contraposição a prepotência visível dos Cunha Lima, a flagrante humildade de Maranhão, que recebeu toda o ultraje a sua autoridade de forma cândida e silenciosa.

As imagens nem sempre expressam toda a verdade dos fatos... e a opinião pública, sinceramente, é um animal facilmente manipulável.

Essa cena definiria a trajetória de Maranhão daí por diante. Assim, o governador, utilizando de artimanhas políticas, conseguiria a sua indicação pelo partido e deflagraria um racha no PMDB, com debandada de todos os Cunha Lima e seus aliados. Maranhão, sem nenhum adversário a altura da sua nova imagem midiática, seria reeleito com a maior votação proporcional do país. Era 1998.

Na eleição seguinte, deixaria o cargo para ser eleito senador, enquanto Roberto Paulino, então seu vice, tentando a reeleição perderia para Cássio Cunha Lima. Maranhão tentaria voltar ao governo do estado em 2006 contra Cássio, sem sucesso. É derrotado, mas recorre e consegue voltar em 2009. Contudo, tenta se reeleger em 2010, enfrentando agora Ricardo Coutinho (PSB) e perde mais uma vez.

O homem não é nada bom de voto. É fato! Apesar disso, o ex-governador teve uma trajetória excepcional. Duvido que alguém se arriscaria a dizer, à época, que o deputado estadual natural de Araruna se transformaria numa força tão hegemônica no PMDB.

Agora, com o fim do seu mandato o PMDB precisa aprender a se reinventar. Há lideranças emergentes como os irmãos Vital do Rego (Vitalzinho e Veneziano) e Manoel Júnior, deputado federal e ex-prefeito de Pedras de Fogo que já demonstra intenção clara de se candidatar ao governo da Capital em 2012. E outros que ainda precisam mostrar mais musculatura política como Gervásio Maia Filho, Trocolli Júnior, Raniery Paulino e Benjamim Maranhão.

Então, ainda que o ex-governador consiga uma sobrevida com algum cargo federal e tente manter sua mão de ferro sobre o PMDB do estado, seu fim é inevitável. Seria melhor uma saída mais sábia, prestando atenção nos sinais das urnas...e do tempo.

Agora nos resta espera que a Paraíba tenha, enfim, reencontrado as pazes com o seu eixo e agora siga mais em harmonia. Sem contar mais com as surpresas do inesperado. Afinal, a vida sempre pode pregar peças e mostrar que o ‘acaso’, ou a ‘fatalidade’, pode mexer nas linhas do futuro, dando outro traçado ao que foi planejado nos gabinetes. Isso é o que se chama destino. Os gregos diziam que nem mesmo o maior de todos os deuses ia contra essa força... Só Apolo conseguiu driblá-lo com sucesso. Apolo, a imagem da consciência solar...

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Parque Sólon em Flor, uma experiência solar


Ontem (dia 27/12) desci do ônibus (voltei a andar de ônibus, não só porque gosto, também em vias de algumas necessidades) e dei de cara com um Parque Sólon de Lucena iluminado. Não era noite, passava pouco das 7h. Os Ipês amarelos estavam em flor e despejavam uma chuva de flores sobre a grama.

É engraçado, não dá para descrever a sensação acompanhada à cena. As palavras são curtas para expressar realmente tudo que presenciei.

O sol iluminava o parque de uma forma que fazia parecer que flores, não eram flores, mas raios de sol que atravessavam a atmosfera e vinham se despejar na terra, servindo de tapete aos privilegiados homens e mulheres que passavam. O tapete amarelo no chão do parque criava uma atmosfera que era um misto de diversão e encantamento.

Algo mágico acontecia... Esses eventos naturais tocam uma melodia qualquer que vibra e faz aquecer o coração. Era como se ali, na beleza em movimento da paisagem, eu pudesse ver Deus. Vocês podem dizer que eu estou exagerando, mas não estou. A sensação foi realmente essa.

A mistura de luz e sombra, de cores e temperaturas e a bela demonstração de desapego das árvores que se desfaziam de sua lindas cabeleiras provocava um estado de quase êxtase.

Tive vontade de ficar ali, parado, apreciando o espetáculo.

Em meio a loucura dos dias, do consumismo do Natal, dos números frios da economia, das necessidades umbilicais, os Ipês floresciam e, ano após ano, davam um espetáculo gratuito, sem escolher quem iria presenciar sua bela 'apresentação'.

E, infelizmente, alguns poderão passar e ver apenas a chegada de uma nova estação.

E eu com as palavras curtas, pequenas e insignificantes demais para expressar a magia que foi aquele início de manhã de segunda-feira.

Foto: Demétrius Oliveira

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Um mergulho infantil: As Crônicas de Nárnia – A Viagem do Peregrino da Alvorada

Antes de qualquer coisa, o título do artigo não tem duplo sentido. Para fim o filme é um mergulho no universo de fantasia infantil. A primeira vez que vi As Crônicas de Nárnia era criança. Foi um desenho animado que passava na sessão da tarde. Apaixonei-me pelo filme, que passou a fazer parte dos meus preferidos. Era ‘O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa’. O filme lembrava as brincadeiras de faz de contas. Crianças entrando dentro de um guarda-roupa e descobrindo um outro mundo onde vivem aventuras eletrizantes e descobrem a bravura e criaturas míticas.

Já no primeiro filme, a imagem do Leão era algo que impressionava, indo para o sacrifício voluntário, sendo tosado e ressuscitando. A referência era clara: Cristo. Depois retorno á essa referência. Vamos ao terceiro filme da franquia.

As Crônicas de Nárnia: A Viagem do Peregrino da Alvorada (The Chronicles of Narnia: The Voyage of The Dawn Treader/2010) conta o retorno de Edmundo (Skandar Keynes) e Lúcia Pevensie (Georgie Henley) à Nárnia.

Neste episódio, a família está dividida. Enquanto os irmãos mais velhos, Pedro e Susana, estão morando com os pais nos EUA, Edmundo e Lúcia ficam hospedados na casa de tios, em Londres, a espera do fim da 2ª Grande Guerra.

Edmundo e Lúcia sofrem com o incômodo e emburrado primo Eustáquio Mísero (Will Poulter) até que todos acabam sendo transportados mais uma vez para Nárnia, onde reencontram o rei de Nárnia, Caspian X (deixado no segundo episódio) e o rato Ripchip. Juntos, todos viajarão à bordo do navio Peregrino da Alvorada, a procura dos sete fidalgos e as suas respectivas espadas. Ao reunir as sete espadas sobre a mesa de Aslam os heróis poderão vencer o mal que assombra os mares de Nárnia. Para isso, enfrentarão diversos perigos e aventuras em inúmeras ilhas.

O roteiro é frágil, não vai muito além disso, mas ao contrário do primeiro episódio da série, onde era difícil de acreditar que as crianças conseguiriam vencer as feras comandadas pela Feiticeira do título, neste episódio as idéias são mais plausíveis. Pelo menos.

Os efeitos especiais não deixam nada a desejar às grandes franquias do gênero, mas o contribuição mais deliciosa é mesmo a dobradinha entre o ratinho Ripchip e o primo Eustáquio Mísero. Ainda que Eustáquio no início do longa beire o insuportável e o longa o pinte como um covarde que gosta de dizer que é pacifista (uma tirada no mínimo de mal gosto). O garoto ganha tons mais amenos na segunda metade da ficção.

É interessante como todos os filmes da série colocam as crianças para vencer situações que têm a ambição pelo poder, a vaidade, o ciúme e o medo como molas propulsoras do mal, mas não consegue ir fundo o suficiente quando aponta defeitos de personalidade nas personagens. Assim foi no primeiro episódio da série, quando Edmundo foi seduzido pela Feiticeira Branca (interpretada pela atriz britânica Tilda Swinton). Neste, quando Lúcia vê despertar em si a inveja no desejo de ser como a irmã mais velha, mas, depois de um rápido sonho, muda de idéia, o filme perde a oportunidade de aprofundar um pouco mais a personalidade da personagem.

É uma aposta na unidimensionalidade e num filme sem grandes pretensões. Mas seria interessante ver Lúcia, a menininha que abre as portas do mundo de Nárnia no primeiro episódio, amadurecendo um pouco mais.

Na Viagem do Peregrino da Alvorada, o Leão, Aslam, avisa que também faz parte do mundo real, vivido pelos irmãos, e diz que eles precisam aprender a reconhecê-lo. Bem, aí retomo a parte inicial do artigo.

O escritor irlandês C.S.Lewis sempre deixou claro sua intenção de fazer da série uma espécie de apanhado moral e cristão às crianças, utilizando um universo de contos de fadas, agregado a mitologia nórdica e grega.

A mistura talvez explique a idéia de mostrar Cristo como o Leão.

Agora vamos para as especulações. Acredito que todos sabem que Jesus não nasceu no dia 25 de dezembro. A data foi criada pela Igreja Católica para neutralizar outras comemorações consideradas pagãs, como a data em que a Mãe Terra dá à luz a "criança Sol", que viria para anunciar um novo tempo, da Mitologia celta. Ou a comemoração do nascimento de Dionísio, na Grécia antiga. Ou ainda a comemoração do nascimento de Horus, no Egito antigo. De Krishna na, Índia ou de Mithras na Pérsia.

Não vou nem entrar no mérito de que todos esses deuses tratam de um mito solar, muito próximo ao de Cristo. São deuses que vencem o mal, de alguma forma espantam as sombras e falam da redenção humana.

O Leão tem uma relação profunda com a consciência. Na astrologia é o símbolo do sol, da identidade, da alma. Significa generosidade e aquele que é capaz de doar a vida em prol dos demais. É o rei. Não da floresta, mas do sentido de ser.

Por isso não é de estranhar que C.S.Lewis em 1950 resolvesse resgatar símbolos outrora perdidos, mas ainda vistos como positivos, para falar à psiquê dos pequenos. O estranho é que hoje em dia parte das igrejas vejam nesses simbolismos o desvirtuamento do ensinamento cristão. Vale a ressalva: não é um símbolo que pode destruir o verdadeiro sentido do que é ser cristão, mas a não observância dos preceitos religiosos por aqueles que se dizem guardiões dessa moral.

O símbolo, ao contrário de deturpar ou diminuir, pode enriquecer uma idéia agregando muito mais força do que é possível fazer com algumas palavras. Eles falam diretamente com imagens ao inconsciente. Imagens que nem sempre podem ser traduzidas numa frase.

Por tudo isso, A Viagem do Peregrino da Alvorada é um belo filme, apesar do roteiro fraco e das atuações unidimensionais. Vale como entretenimento de fim de ano. E o título é um achado, já denuncia um amanhecer qualquer capaz de redimir o viajante cansado.

Sim, a título de curiosidade: Liam Neeson faz a voz de Aslam.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Julian Assange (do WikiLeaks), terrorista ou herói?

Julian Assange, o mais ilustre fundador do site WikiLeaks, está sendo caçado como criminoso na Suécia. Segundo a justiça daquele país, em agosto o ativista teria estuprado duas mulheres. O advogado do australiano afirma que o sexo feito com as mulheres foi consentido, não houve estupro. Assange atribui tudo a perseguição política.

Um tablóide sueco teve acesso as denúncias das duas mulheres que acusam Assange, ambas com idade por volta dos 20 anos. Lendo o relato, fica claro que as mulheres foram usadas pelo australiano. Entretanto, pelo menos para mim, não houve estupro. As mulheres parecem ressentidas, se sentindo traídas e abusadas – ele transou com as duas praticamente nos mesmos dias, sem que uma soubesse da outra e ainda obteve favores econômicos (Leia a matéria)

No quesito sexo e relacionamento, Assange lembra o comportamento de muitos homens egoístas famosos, que são assediados por mulheres e acabam conseguindo favores sexuais delas e depois perdem o interesse. Acham que estão fazendo o favor em depositar seu sêmen precioso e iluminado no 'receptáculo feminino'. É a velha busca masculina pela auto perpetuação.

A atitude é de um homem machista, sem dúvida, e sem nenhum sentido de preservação ao próximo, mas não de um criminoso deliberado, nem de um maníaco sexual de alta periculosidade.

Vale ressaltar que na época uma promotora não viu indícios de estupro e arquivou o caso. Contudo, depois dos inúmeros ‘cabos’ (como são chamados os dossiês e comunicados) secretos entre diplomatas norte-americanos divulgados pelo WikiLeaks, a acusação voltou a ser analisada. Assange foi acusado internacional e preso na Inglaterra. Conseguiu relaxamento da prisão e agora pode se defender em liberdade, sem sofrer extradição, por enquanto, após pagar uma fiança de 200 mil libras (cerca de R$ 530 mil).

O diretor de documentários norte-americano Michael Moore, o cineasta britânico Ken Loach e a socialite Bianca Jagger estão entre os que contribuiram para se chegar ao montante. Na saída da prisão, Assange e fez uma curta declaração: “Se nem sempre se alcança a justiça, ao menos ela ainda não está morta".

Nos EUA, a revista Time abriu enquete para a eleição da Personalidade do Ano. Assange é o mais votado. Em contrapartida, pesquisa divulgada pela TV norte-americana aponta que 6 de cada 10 pessoas ouvidas considera que o ativista deve ser indiciado e tem prejudicado os interesses do país.

Assange se gaba de estar prestando um serviço à comunidade internacional e ressalta, com estranheza, como a mídia tem sido conivente com o status quo existente. Ele afirma que o WikiLeaks divulgou mais informações bombásticas e sigilosas, deixando a nu a política internacional, do que toda a mídia junta nos últimos anos.

Veja breve entrevista de Assange no El País:




A tática do WikiLeaks é de terrorismo. O site se hospeda em países diferentes dia a dia, e os informantes tem sua integridade resguardada como um tesouro inviolável. Assange evita usar cartões de crédito para não ser rastreado e exerce uma aura de líder idealista e utópico nos que o rodeiam.

O ‘moço’ tem um quê de herói, desses heróis contra-cultura e contra o Sistema, bem ao estilo do filme V e de Matrix, dos irmãos Wachowski. Mas é um herói que não se furta em jogar com o terror, ao divulgar informações onde coloca a vida de algumas fontes norte-americanas sob risco.

Entretanto, não é justo chamá-lo de homem bomba, como ilustra a capa da Revista Veja desta semana. Bomba é o domínio das grandes potências sobre o mundo. Assange apenas põe isso a nu. Nesse quesito, em revelar os interesses que rolam nos bastidores, ele tem mérito e deve ser respeitado. O que não significa que o homem seja um santo... Recentemente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) questionou porque ninguém saiu em defesa do ‘garoto’ (o cara tem 39 anos). Foi a única voz mundial que se ouviu, fora os artistas, hackers e uma ou outra ONG. Não deixa de ser estranho isso.

Depois da divulgação dos ‘cabos’, a diplomacia norte-americana parece ter resolvido passar um tempinho com ‘as sandálias da humildade’. Eles admitem um duro golpe com a divulgação das correspondências. Se toda essa fofoca que foi espalhada na Net servir para uma mudança de postura norte-americana no mundo, será um avanço bem vindo. Mas duvido. É mais fácil prenderem ou matarem Assange, evitando novas revelações.

Contudo, o ciber ativista tem do seu lado inúmeros hackers, que já demonstraram o poder de fogo ao atacar os sites da Amazon.com e da Visa, como represálias aos achaques contra o WikiLeaks. Do outro lado, já conseguiram provar que o australiano não é tão limpo assim como se pensava...(é pelo menos um machista aproveitador de 'indefesas' loiras suecas) A luta é difícil, e Assange tem muito menos possibilidades, mas uma coisa está provada: Nada mais será como antes depois do WikiLeaks.

O site hoje é a máxima expressão da liberdade de imprensa. Uma imprensa sem país, sem leis e pronta a botar no ventilador a sujeira mais bem guardada. No momento, tem um alvo político bem específico: os Estados Unidos da América. E, definitivamente, a semelhança com o ataque de 11 de setembro é impressionante. Desta vez o ataque aconteceu no dia 28 de novembro de 2010, data da divulgação dos ‘cabos’ diplomáticos.
Entramos numa nova era...


Conheça um pouco mais de Julian Assange:





quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Os 12 trabalhos de Ricardo Coutinho na Paraíba

A tarefa de Ricardo Coutinho a frente do governo da Paraíba é digna dos 12 trabalhos de Hércules. E não há exagero aí. Segurança, Educação, Saúde, Funcionalismo, Estrutura Sucateada do Estado, Saneamento Básico, Estradas, Porto e Aeroporto (encaro os dois como uma coisa só:escoamento de produção e turismo), Articulação Política, Mídia, Cultura e Cagepa (a instituição, nada a ver com saneamento). Cada um desses temas é um angu de caroço. Fácil de perder o ponto e degringolar e difícil de arrumar.

Agradar a todo mundo vai ser impossível, assim como resolver esses nós em quatro anos. Mas é possível dar uma direção um pouco mais arrumada, pelo menos. Se bem que o problema do estado brasileiro é de berço, histórico. Tinha que tocar fogo e começar tudo de novo, mas aí o estrago seria grande. Melhor ir levando o sistema até quando der...

O novo governador da Paraíba já começou a anunciar sua equipe de governo. Deu o ponta pé inicial pelo twitter, revelando os nomes da nova Segurança Pública do estado. Primeiro é preciso anotar o veículo escolhido por Ricardo Coutinho para fazer o anúncio em primeira mão: o twitter.

É sem dúvida um novo tempo e uma forma de prestigiar essa galera – o novo governador tem mais de 15 mil seguidores no twitter e esse número é multiplicado exponencialmente quando os seguidores repassam as informações. Esta é, sem dúvida, uma forma do governador admitir a força das redes sociais em sua campanha e um recado para outra ala bem específica que foi seu calcanhar de Aquiles durante a campanha: a Mídia.

Mas vamos ao que interessa. Primeiro, não pretendo tecer comentários sobre as escolhas, simplesmente porque não conheço os escolhidos. Apenas torço para que eles consigam diminuir o índice de violência no estado. É bom lembrar que o nível de violência de João Pessoa é quase igual ao do Rio de Janeiro. Apenas para ficar num dado divulgado recentemente pelo IBGE, a proporção de mortes violentas de homens em relação às mulheres tem seu pico no Rio de Janeiro, onde 5,5 homens morrem por causas violentas para cada mulher. A Paraíba fica em segundo lugar, empatado com Alagoas e Bahia (com 5,3). Pernambuco é o terceiro felizardo dessa lista negra (com 5,2).

Mas não é preciso ler os índices do IBGE para constatar a violência na Paraíba, é só ler as manchetes dos jornais, das TVs e dos portais. O número de mortos a cada semana. A violência é generalizada, com maior ênfase na Capital e em cidades como Campina Grande, Patos, Santa Rita e Bayeux.

Como Coutinho falou em seu pronunciamento, realmente é preciso que a inteligência da Polícia Civil FUNCIONE e consiga desbaratar gangues e esse esquema onde hoje os bandidos mandam em bairros e ruas. Não dá para existir mais picuinhas entre as polícias enquanto os cidadãos morrem em frente as delegacias, shoppings, suas casas, shows, no trânisto e no ônibus. Queremos paz e principalmente: parar de achar que encontrar com um policial é sinônimo de problema, não solução.

Vou confessar: olhei para a operação de retomada do morro do Alemão, no Rio de Janeiro, desejando que algo parecido pudesse acontecer no Bairro São José, na Capital. Tá, talvez não seja preciso fazer exatamente isso, mas precisamos sim re-socializar bairros como Renascer, Padre Zé, Alto do Céu, Alto dos Populares e Bairro São José, só para ficar em alguns mais carregados da região metropolitana de João Pessoa. Afinal, não dá para continuar com uma taxa é de 55 mortos por 100 mil habitantes (essa é a taxa de João Pessoa), quando a ONU considera aceitável até 10 mortos por 100 mil habitantes. O negócio tá brabo.

O novo governador tem alguns trabalhos indigestos pela frente. Talvez um dos maiores deles seja mesmo a Segurança. Por isso, ele fez bem em antecipar a anunciação, prevenindo uma ‘terra de ninguém’ na PM, Polícia Civil (PC), e Corpo de Bombeiros que pode se instalar com o vácuo do poder com Natal e Réveillon se aproximando.

Ele já deu indícios de como será a relação com o funcionalismo quando disse estranhar que o Corpo de Bombeiros fique ‘aquartelado’ esperando um evento que raramente acontece (incêndio) e apontou a defasagem de equipamentos da corporação.

Alertou para a necessidade de trabalho e dedicação de PMs e PCs e afirmou que quer soldados na rua, nada de fazer trabalho burocrático. PEC-300, não é prioridade, mas se for LEGAL pagar ele não se furtará. Foi uma fala esclarecedora. O governador eleito deixa claro que vai cobrar trabalho do funcionalismo e possivelmente quererá que a máquina do estado passe a funcionar os dois expedientes.

Coutinho já afirmou também que não entende como existem vários órgãos do governo fazendo o mesmo trabalho. Ele vê nisso acúmulo desnecessário de função e inchaço da máquina pública. Para bom entendedor... isso significa que o socialista está acenando com enxugamento da máquina e fusão de órgãos: podem estar na mira IDEME, PRODETUR, FINANÇAS... Bem, RC pode deixar para mexer nisso também só num momento adiante, afinal, são muitas mudanças para implementar.

Articulação Política – Um vespeiro difícil de mexer é a arrumação política exigida pela composição de governo. Uma arrumação que precisa absorver siglas como PSDB, DEM, PTB, PV e PTN. Claro que as três primeiras têm mais prioridades e trabalharam mais ativamente na campanha.

O ex-governador Cássio Cunha Lima (PSDB) esteve durante o pronunciamento de Coutinho nesta terça-feira (14) sentado ao lado direito. A cara estava um pouco fechada, mas a sinalização é clara: o campinense participa ativamente do novo governo, tem vez e voz.

Efraim Morais (DEM) anda sumido, o que é estranho. Mas o socialista irá pagar a fatura política do apoio de primeira hora, não tenho dúvida disso, ainda mais agora com o senador prestes a ver-se sem mandato.

Outro que merece atenção é o prefeito de Sousa, Fábio Tyrone (PTB). O petebista foi uma das luzes no sertão que alumiaram o caminho de Coutinho e o peso e a articulação de Tyrone foram uma somatória preciosa à campanha.

Tyrone quer um olhar mais atento do Governo do Estado ao Sertão. O danado é fazer isso, sem perder de vista as carências dessas duas gigantes (JP e CG) que também foram tão importantes na eleição.

Mas o prefeito de Sousa também tem razão ao querer que o governo saia do foco de João Pessoa e Campina Grande e se volte mais para o interior. A economia do estado está cada vez mais da borborema ao litoral, causando migração e o surgimento de favelas, mais violência e mais problemas insolúveis...é preciso fazer com que o homem do campo fique no campo e o das cidades do interior fique no seu lugar de origem. E só há uma forma de fazer isso: melhorando as condições de serviços prestados pelo governo e dando mais oportunidades de emprego e renda a esses cidadãos.

Coutinho precisa lembrar que cerca de 60% dos seus votos vieram das pequenas cidades do interior e do sertão. Esse é um povo ávido por atenção. Sabemos que a Paraíba é um estado miserável como um todo - com muitas riquezas, é verdade, mas por enquanto tristemente miserável -, todavia é depois da Borborema que ela é desperadoramente necessitada.

Estou dizendo, o trabalho é hercúleo e exige eficiência matemática.

Bem, durante o anúncio dos novos nomes da segurança paraibana, Coutinho fez questão de ler os currículos. Ele quer deixar claro: a indicação política não é problema, mas é preciso que o indicado seja gabaritado para o cargo. Anotado, RC.

Coutinho começou o anúncio mexendo em Segurança, Mídia, Funcionalismo e Articulação Política. Até o momento a sinalização é pra lá de interessante e nova no formato.

Assim, voltando a metáfora com Hércules iniciada neste artigo, Coutinho primeiro está atacando a Hidra de Lerna (a Midia), aquela que você arranca uma cabeça e aparecem mais duas. Está querendo dar um jeito no Leão de Neméia (Segurança), aquele que com os instintos soltos tem o poder de espalhar o terror e destruir, mas domado é capaz de ser um exímio escudo de proteção. Está tentando domar Cérbero (o Funcionalismo), o cãozinho de três cabeças de Hades. É esse cãozinho que guarda a entrada do submundo... Por último, Couitnho tem se esforçado para limpar os Estábulos do Rei Aúgias (Articulação Política). Vou te contar: é muita merda pra limpar...

Sorte e sucesso ‘Mago’.